NFTs: a última moda digital

NFTs: a última moda digital

Os NFTs estão fazendo furor porque alguns destes itens digitais únicos têm sido vendidos por vários milhões! Sabe o que são? Conheça tudo aqui!

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NFTs

NFTs, o Guia Completo

Você lembra da sensação legal de colecionar e trocar figurinhas na sua infância? O mundo dos NFTs pegou nessa experiência única e criou um nicho no blockchain. Nicho que está virando ‘moda’, com negócios milionários que fazem muita gente sonhar.

Muitas perguntas surgem sobre os NFTs. Primeiro, o que são eles? Para que servem? De que forma está movimentando a internet? Devo participar? Tudo isto será respondido no nosso guia completo sobre NFTs.

O que é um NFT?

NFT é a sigla para “Non-Fungible Token”, em inglês. É assim que são conhecidos e em português será token não fungível, numa tradução livre. Também são conhecidos por cripto-colecionáveis.

Cada um desses NFTs é um ativo digital criado no blockchain. Pode ser uma imagem, um áudio, um vídeo, etc. São “não fungíveis” (non-fungible), por isso não podem ser gastos, consumidos, fundíveis, substituíveis ou divisíveis. São, por isso, itens únicos e exclusivos.

O que pode ser um NFT
O que pode ser um NFT

Tal como acontece nas criptomoedas, você pode comprar ou vender NFTs em inúmeros mercados sem a existência de uma entidade central que controla ou monitoriza essas transações. As compras ou vendas são, frequentemente, feitas em criptomoedas.

Essa tecnologia pode ser utilizada em muitos campos, como videogames e itens colecionáveis, mas é na arte digital que está fazendo grandes manchetes.

Os NFTs já existem há alguns anos, mas foi nos últimos meses que se assistiu a um interesse explosivo, com alguns negócios a atingirem largos milhares em vendas. Continue lendo que iremos falar de alguns mais abaixo. A capitalização do mercado global de transações que envolvem NFTs passou de 40 milhões de dólares, para 338 milhões em 2020.

Market Capitalization Statista
Market Capitalization
Creditos Statista

Entenda algumas das características que os NFTs têm e que lhes permitem ter valor:

  • Únicos
  • Raros
  • Indivisíveis
  • Verificáveis
  • Indestrutíveis
  • Transferíveis

Para entender o potencial a nível de investimento que os NFTs têm, você tem de se libertar das ‘amarras’ de um tipo de economia mais tradicional. Visto que isto retrata itens “digitais”, e que estamos a falar de uma economia digital, poderá pensar que é um negócio de crianças, mas a realidade é que isto é algo bem sério para muitos artistas por aí, ou para quem procura fazer investimentos.

E para facilitar isso, vamos tentar fazer uma comparação com a realidade.

No “mundo real”, se estiver a produzir ou negociar arte um certificado de autenticidade é essencial. Este certificado inclui, entre outros, o nome do artista, o título, as dimensões, o ano em que foi terminado, etc. e tem como objetivo garantir a legitimidade da peça de arte.

No caso dos NFTs, isso é feito diretamente no blockchain, sendo que a criptografia e a descentralização tornam impossível de adulterar ou falsificar a garantia da proveniência de um NFT.

nft blockchain
blockchain

Da mesma forma que acontece nas criptomoedas, a autenticidade dos NFTs advém do número de miners que fazem a verificação e mantêm o sistema honesto e transparente.

Toda a lista de características e a prova de propriedade são confirmados através de um smart contract. Um smart contract é simplesmente um script de código que contém memória interna. Quando um desses scripts é executado, uma transação fica guardada. É algo simples, mas os smart contracts e o blockchain onde eles correm são duas premissas que são absolutamente essenciais para que os NFTs existam.

Chamo a atenção para um detalhe que muita gente confunde ao pensar que o próprio NFT está armazenado no blockchain, quando na verdade o que fica gravado e armazenado imutavelmente no blockchain é a transação. Essa transação indica a existência do objeto, a sua titularidade e características, mas o objeto em si não.

NFTs vs Criptomoedas

Vamos estabelecer uma curta comparação entre um NFT e uma criptomoeda, o Bitcoin, por exemplo.

Embora ambos sejam executados no blockchain, o Bitcoin é um item fundível, por ser possível o dividir em unidades, em que cada uma tem o mesmo valor. Você sabe isso porque cada Bitocoin que existe no mercado tem o mesmo valor que outro Bitcoin.
Mas um NFT que é uma imagem de um gato, por exemplo, é um token, um “objeto digital” que é único e irrepetível. Não é possível dividir essa imagem.

O que pode ser um NFT?

NFTs podem tomar imensas formas, podem ser imagens, gifs, áudios, cartas de jogos, terrenos digitais, etc. Até à data, diversos casos de uso estão usando Non-Fungible Tokens, como videogames, identidade digital, licenciamento, artes plásticas e itens de alto valor. 

E passo a acrescentar que muitos famosos já entraram nessa loucura e já produziram os seus NFTs: Diplo, Péle, Tony Hawk, Deadmau5, Lebron James, Grimes, Flume, Snoop Dogg, Lionel Richie, Lindsay Lohan e William Shatner, entre muitos outros.

Recordes de alguns NFTs:

A “moda” dos NFTs estoirou recentemente após alguns negócios que bateram recordes.

O clássico meme em formato gif, o Nyan Cat foi vendido por $580 mil dólares.

Outro meme já com vários anos e que também bateu a marca dos $500 mil dólares foi a “Disaster Girl”.

Disaster Girl
Disaster Girl

Jack Dorsey, o CEO do Twitter, também decidiu entrar neste mundo e fê-lo pela porta grande, quando vendeu o seu primeiro tweet de sempre, postado em março de 2006. Para muitos apenas mais um post no meio de milhões, para outros um pedaço de história imortalizado e irrepetível, a verdade é que esse NFT rendeu quase $3 milhões de dólares.

Uma obra digital inspirada no código do Bitcoin foi vendida por $130,000.

Sem dúvida que um dos negócios que mais conversa gerou foi a colagem de um autor chamado Beeple. A obra, “Everydays – The First 5000 Days” foi para leilão na conceituada Christies e foi vendida por uns exorbitantes $69 milhões de dólares, sim leu bem, 69 milhões.

Este artista, que até agora era um quase desconhecido no mundo da arte, com esta venda, saltou de imediato para o top 3 dos artistas vivos mais valiosos do mundo. Poderá ver a obra em todo seu esplendor aqui.

beeple
Obra de Beeple
Créditos: Beeple

Como funcionam os NFTs?

A criação e emissão de NFts acontece no blockchain. Essa atividade tem o nome de ‘minting’. O formato mais importante da atualidade é o ERC-721, um padrão que corre na rede blockchain da Ethereum.

Mas existem muitas outras e que podem ficar bem mais baratas de criar sua arte. Vamos ser sinceros, ter de criar sua arte poderá ter um custo bem salgado, mas já vamos falar disto de seguida.

Importa saber que existem várias outros blockchains que podem ter melhores condições para você criar e vender a sua arte, entre elas:

  • Binance Smart Chain
  • Tron
  • Flow
  • EOS
  • WAX

A nível de mercados para compra e venda, existem muitos tal como o OpenSea, SuperRare, Foundation ou o Rarible. É nestes mercados que você irá comprar e vender os NFTs, sendo que nem todos aceitam todos os tipos de NFTs pois estão vinculados a um tipo de padrão.

mercados
mercados

A própria Binance, considerada uma das maiores plataformas da atualidade também planeia fazer sua entrada no mundo dos NFTs, através de um mercado dedicado aos NFTs. Será lançado em Junho de 2021 e promete juntar os artistas, criadores de conteúdos e entusiastas do mundo das criptomoedas. Uma das ‘promessas’ são comissões baixas, este que é um dos pontos de maiores críticas.  

Passos para criar e colocar seu NFT para venda, através da rede blockchain Ethereum:

1 – Criação de uma wallet, ou carteira digital, para seus fundos. Este passo é o primeiro, pois sem uma carteira você não pode ter seus fundos. Existem várias boas soluções, nós podemos sugerir a Binance. É claramente uma das empresas com nome mais sólido no mercado, repletas de funcionalidades e segurança no mercado. A escolha da sua wallet deverá considerar um acesso aos mercados de compra e venda de NFTs. No caso da Binance, terá a vantagem de ter um acesso perfeito ao mercado que mencionamos no ponto anterior.

2 – Comprar Ethereum, caso não tenha. mais propriamente Ether que é a moeda que ‘alimenta’ a plataforma Ethereum. Ou se preferir, faça câmbio de outra cripto que tenha. Também pode optar por não comprar e continuar na mesma, mas não irá conseguir vender o seu NFT. A velha máxima do “é preciso gastar dinheiro para fazer dinheiro” está bem presente aqui.

3 – Depois de ter Ethereum disponível, pegue ou crie sua arte. Como já sabe, poderá ser áudio, vídeo, realidade virtual, imagens estáticas, imagens em loop (gif), imagens em slow-motion, etc. Dentro do mercado que escolher irá importar o seu ficheiro. Neste exemplo vamos falar do mercado OpenSea, mas você escolhe o que preferir. Clica “create” e precisa de fazer login e associar sua carteira. Irá ver que sua coleção está vazia. Vamos adicionar algum artigo.

openSea
openSea

4 – Ao criar a sua primeira coleção, primeiro escolhe um logotipo e nome da coleção. Atenção isso ainda não é o momento de subir sua arte NFT. É apenas o nome da coleção onde seu(s) item(s) NFTs vão estar. Depois da coleção estar criada, você pode subir sua arte. Dê um nome, a descrição, pode associar um link – para seu Twitter, por exemplo – e aperta create. Aí o seu NFT está subido e existe um hash que identifica como sendo seu.

O NFT pode ser partilhado e é visível para todo mundo ver, você até o verá dentro da sua carteira. No entanto, ele ainda não está sendo vendido. Para o colocar à venda precisa clicar em sell.

5 – Ao apertar sell, você vai definir o preço. Pode optar por fazer um bundle (venda em pacote), ou criar um leilão ou fazer venda única com preço definido. O preço ficará definido em ETH (Ethereum). De seguida entram as comissões. E é aí que fica salgado…

O mercado OpenSea não irá cobrar nenhuma comissão por colocar um item à venda, mas irá cobrar 2.5% do preço total de uma venda feita. Mas não ficamos por aqui. Ao clicar no botão post your your listing, o OpenSea ira indicar que precisa de inicializar a sua conta, fazendo uma transação inicial. Ao fazê-la precisa autorizar na sua wallet e irá aparecer o miner fee, que é igual ao gas fee. Relatos recentes mostram que é muito fácil esta comissão bater os 200 dólares, o que fica muito complicado para quem só está a tentar criar arte para vender. Sem saber se algum dia irá vender alguma peça, já está a arcar com custos elevados.   

Gas fee é um custo, usado para pagar as transações que ocorrem na rede blockchain da Ethereum. O preço é dinâmico, varia imenso conforme o que é necessário processar e o congestionamento da rede.

Se quiser continuar irá ver o seu item listado para venda. Feito! Você agora é um artista de NFTs e boa sorte nas suas vendas.

Mas se não quiser utilizar o blockchain Ethereum para seus NFTs, pode escolher outros que podem ser consideravelmente mais baratos. Escolhemos o guia passo a passo na rede Ethereum simplesmente porque tem a maior comunidade.

Dica, experimente fazer o mesmo passo a passo, mas opte pelo blockchain WAX, via carteira WAX, terá uma agradável surpresa nos custos e comissões.

Porquê eu vou pagar tanto por algo que posso ver online grátis?

Certo, essa pergunta pode fazer sentido. Mas isso mostra que talvez você continue ‘preso’ à ideia de que isto tudo é uma brincadeira sem nexo. Como é que uma coisa dessas pode ter valor, não é mesmo? A resposta é simples, como tantas outras coisas nesta vida, o valor não está no objeto em sim, mas sim é atribuído pelas pessoas que o consideram valioso. Os valores destes itens digitais dependem do quanto as pessoas querem dar por ele e se ele é raro ou não.

E isto acontece tanto com colecionáveis digitais, ou artigos reais e palpáveis, como o cardigan usado e sujo do Kurt Cobain do Nirvana que foi vendido por mais de 300 mil dólares em 2019.

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Cardigan de Kurt Cobain

Ou o coelho de aço criado em 1986 por Jeff Koons que é a peça de arte mais cara da história, criada por um autor ainda vivo, foi vendida por mais de $90 milhões de dólares.

Ou ainda o livro de quadradinhos raro do super-homem que foi lançado em 1938 e foi vendido por mais de $3 milhões de dólares.

O NFT permite que, tal como nos exemplos citados acima, o comprador detenha a única unidade existente (o resto são cópias sem valor comercial), com uma autenticação inalterável que serve como prova de titularidade. E isto também dá o ‘direito’ do titular se gabar e se vangloriar para todo o mundo, dizendo que é o seu único detentor. E para muitos, isso tem um sabor único e estão felizes em pagar essas quantias por esse direito.  

Projetos famosos que usam NFTs e uma economia digital:

– CryptoKitties

Um dos primeiros projetos com Non-Fungible Tokens. Jogo contruído no blockchain Ethereum que permite aos jogadores coletar, criar e trocar gatos virtuais.

Ficou especialmente famoso em Fevereiro de 2020 depois de ser a principal causa de um congestionamento da rede. Estes gatos digitais continuam fazendo vários milhões circular e algumas das unidades mais raras foram vendidas por algumas centenas de milhares de dólares.

cryptokitties
cryptokitties

Decentraland

Este mundo é ideal para quem quer um pedaço de terra descentralizado e dentro da Realidade Virtual. Você aqui compra e vende pedaços de terra virtual e outros NFTs. Se for dono de um lote, pode construir o que mais lhe apetecer. E naturalmente que muitos compram com o intuito de revender por um bom lucro mais tarde. E é esta a direção, sendo que o valor médio pago por cada lote mais que quadruplicou em apenas 1 ano. Um dos recordes de vendas até hoje foi um lote que foi vendido por um $1.5 milhões de dólares.

Alien Worlds

– Outro mundo virtual que explora uma economia digital, em torno de um videogame onde você minera um token chamado TLM. Em Alien Worlds tudo acaba sendo um NFT, seja as ferramentas para minerar, seus personagens, o local onde minera, etc. Certas cartas de NFTs que estão no mercado têm já um preço pedido superior a $5 milhões de dólares.

Sorare

Qual é o desporto-rei mundial? É o futebol, sem grande dúvida. Portanto é perfeitamente natural que exista uma game que replica uma coleção de figurinhas com os melhores jogadores do mundo. Com licenças oficiais de clubes como Real Madrid, Liverpool, PSG, entre outros, tem crescido imenso na plataforma Ethereum. Cada jogador tem 3 níveis de raridade, sendo que existem 100 cartas de cada jogador no nível raro, 10 no nível super raro e apenas 1 no nível único. Estas são as cartas que têm um limite de circulação e as que atingem valores altos no mercado

sorare
sorare

O futuro dos NFTs?

Quando algo está ainda dando os primeiros passos, fica complicado entender o que irá acontecer nos próximos anos. Mas existem alguns dados que permitem nos entender qual o caminho que este mercado toma.

De acordo com os valores atuais, alguns analistas antecipam que este mercado irá ultrapassar os $1.3 biliões de dólares até ao final de 2021.

Várias marcas, artistas e desportistas vão seguir os exemplos dos que já existem (Taco Bell, Louis Vuitton, Nike, Samsung) e entrar nesta ‘loucura’, experimentando o mundo dos NFT pela primeira vez. E, inevitavelmente, muitos vão entrar no mundo das criptomoedas pela porta dos NFTs.

Na opinião de alguns criadores e compradores de arte digital, estamos a assistir a um novo capítulo da história da Arte. Sem dúvida que isto desbloqueia novas formas de gerar lucro às áreas da arte, videogames, tecnologia, esporte, entre outros.

Mas também existem alguns que defendem que isto é uma “bolha” super inflacionária, altamente especulativa e perigosa que pode arrebentar e deixar muitos em prejuízos altíssimos.

No entanto, e caso isso aconteça, a verdade é que, tal como o próprio blockchain, o fenómeno dos NFTs não irá desaparecer. Irá, talvez, consolidar, amadurecer e começar a fazer parte do convencional.

Nós somos da opinião que isto ainda é só o começo e haverá muitos mais casos no futuro. É possível que os NFTs, mesmo através de um novo nome, irão fazer parte do nosso quotidiano e as pessoas vão usá-los frequentemente. Estaremos cá para assistir aos próximos capítulos.

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