O que são Dow Jones, Nasdaq, S&P500 e quais suas Diferenças

O que são Dow Jones, Nasdaq, S&P500 e quais suas Diferenças

Mesmo que nunca tenha investido na sua vida, por certo já leu ou ouviu falar nos termos Dow Jones, Nasdaq ou S&P 500. Seja nos noticiários ou nos jornais, as referências as estes três índices norte-americanos são frequentes. Neste artigo vamos explicar o que são e quais as diferenças entre eles.

Também é comum vermos muita gente a colocar todos os índices no mesmo “barco” e sugerir que eles representam exatamente o estado do “mercado” ou da “economia”. Mas isto não é assim tão linear e há diferenças importantes que iremos analisar neste artigo.

Dow Jones, Nasdaq, S&P 500

Estes índices representam a capitalização de mercado das empresas cotadas nas bolsas norte-americanas, mas pela sua importância mundial, acabam por ser um pouco a medição da saúde económica não só dos Estados Unidos da América, mas do mundo em geral, pois muitas das maiores empresas mundiais fazem parte destes índices.

Para quem tem interesse pelas Bolsas de Valores, conhecer Dow Jones, Nasdaq, S&P 500 e acompanhar os seus resultados é fundamental para compreender e analisar as outras Bolsas dos outros países, incluindo a Brasileira.

Neste artigo irá aprender a interpretar o que são e como são calculados estres 3 índices.

Conheça ainda as principais diferenças entre eles.

O que é um Índice Bolsista?

Podemos explicar brevemente e de forma muito simplista, que um índice bolsista é um valor medidor ou um indicador que demonstra a tendência geral de um conjunto de títulos – habitualmente ações – que é avaliada através de uma média das subidas e descidas.

Nos índices você não compra nem vende nada. Não existe negociações lá, serve apenas para monitorizar as evoluções de preços. Pode, no entanto, comprar fundos indexados ou ETFs, que são outro tipo de produto financeiro associado à evolução dos índices bolsistas que estamos a discutir.

Estes fundos indexados podem ser comprados e vendidos na Bolsa, como qualquer outro ativo.

Existem vários índices bolsistas no mundo, cada um com as suas características. Cada um tem a sua complexa metodologia para calcular e manter os valores dos títulos.

Os valores exibidos nos principais índices atuais têm um grande peso e muitos seguem as suas evoluções ao pormenor. Entre outros, existem os investidores que os seguem para procurar oportunidades de investimento nos mercados financeiros, e em diferentes produtos tal como FOREX, e os gestores das empresas para fazerem exercícios de comparações de análises financeiras.

Em relação à forma em como os índices podem ser ponderados, a Wikipedia diz que

“Os índices podem ser ponderados de diferentes forma, sendo a mais usual o valor de mercado das empresas que os compõem (market cap weighted índices). Há, no entanto, algumas exceções representativas, como o Ibovespa (ponderado pela negociabilidade de cada ação) e o Dow Jones (composto por uma ação de cada empresa).”

Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq

Vamos regressar e nos focar então nestes três índices, falando um pouco sobre o que cada um representa, e sua história. Mais abaixo vamos aprofundar suas diferenças.

Estes três índices são todos norte-americanos e por norma são tratados como indicadores fiéis da saúde económica dos mercados de ações e da própria economia.

No entanto, como irá entender ao longo do artigo, o ideal será olhar para eles e retirar apenas o que eles lhe dizem sobre alguns segmentos de mercado.

Dow Jones: o mais antigo e mais exclusivo:

Conhecido por DJIA (Dow Jones Industrial Average) ou simplesmente “Dow”, este é dos índices mais antigos em vigor, com a publicação inicial feita em 1896, e é certamente o mais conhecido.

É também o mais seletivo, no sentido que conta com apenas 30 empresas, mas todas elas autênticas gigantes, tais como: Apple (AAPL), McDonald’s (MCD), Coca-Cola (KO) ou Nike (NKE).

dow jones
dow jones

Desde 1896 que muita coisa mudou. O nome manteve-se, mas de “industrial” já não tem muito, visto que as primeiras empresas lidavam com tabaco, gás, chumbo ou carvão em plena revolução industrial americana. Atualmente, o foco destas 30 empresas são as Finanças, Tecnologia ou Bens de Consumo.

As empresas existentes são de muitos setores diferentes, exceto transportes e serviços, pois estes setores têm os seus próprios índices Dow Jones em separado.

As 30 empresas são escolhidas ‘a dedo’ por um comitê, os editores do The Wall Street Journal, tendo como base a sua influência para a economia norte-americana. Todas essas 30 empresas estão cotadas ou no NYSE (New York Stock Exchange/Bolsa de Valores de Nova Iorque) ou no Nasdaq.

A forma em como o valor diário do Dow Jones é calculado envolve o preço diário de fecho de cada uma das 30 empresas que o compõem, adicionando um divisor que é aplicado para se receber o valor final.

Curiosidade: A empresa que mais tempo participou do Dow Jones foi a General Electric. Foi uma das primeiras 12 a serem listadas e só acabou saindo a 19 de junho de 2018.

S&P 500: as 500 +:

O S&P 500 é o índice da Standard & Poor’s, outra empresa centenária de renome internacional, e inclui as 500 empresas mais importantes para economia norte-americana que estejam cotadas ou no NYSE (New York Stock Exchange/Bolsa de Valores de Nova Iorque) ou no Nasdaq.

Combinadas, as 500 empresas do S&P 500 totalizam cerca de 75% de todas as ações dos Estados Unidos.

Devido à maior extensão do número de empresas, o S&P é considerado por muitos como um medidor mais confiável do que o Dow, pela óbvia diferença de rastrear 500 empresas, ao invés de 30. Também por isso acaba sendo o índice mais importante do mundo.

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Algumas métricas têm de ser cumpridas, de modo a que uma empresa possa fazer parte do S&P 500:

  • Ter sede nos EUA.
  • Capitalização de mercado tem de ser igual ou superior a 8.2 Biliões de dólares.
  • Volume mínimo de 250.000 ações negociadas por mês em cada um dos 6 meses anteriores à data de avaliação
  • Rácio entre montante negociado anual e capitalização de mercado ajustada tem de ser superior a 1.0.

O S&P tenta ‘espelhar’ a diversidade das maiores empresas presentes no NYSE e Nasdaq. Neste modelo, se por exemplo, 10% das maiores companhias pertencerem à área de produção fabril, então o índice irá tentar manter 10% das tais 500 empresas também na área de produção fabril.

O S&P 500 apareceu em 1957. Atualmente, tanto o S&P 500 como o Dow Jones são atualmente mantidos pelo Índice S&P Dow Jones, uma divisão da Standard & Poor’s.

Este índice é calculado quando se ‘pesa’ cada companhia de acordo com a sua capitalização de mercado ao nível da ações públicas e depois aplicado um divisor definido pela S&P, para se obter o valor final.

Nasdaq: o índice tecnológico:

O Nasdaq Composite é o mais jovem entre os 3, tendo começado o seu funcionamento em 1985. É habitualmente referido ao índice tecnológico, devido ao peso que as suas empresas tecnológicas têm.

Há que fazer uma separação quando você ouve falar em “Nasdaq”.

O Nasdaq é, também, uma bolsa de valores, semelhante à Bolsa de Valores de Nova Iorque, onde se pode comprar e vender ações.

Por isso é que importa realçar esta pequena, mas importante diferença, pois o mesmo nome pode indicar duas coisas muito diferentes.

O índice que estamos falando é o Nasdaq Composite e inclui quase 2.500 empresas, todas listadas na bolsa de valores Nasdaq.

Por haver uma visão tão ampla, este índice também é um dos mais seguidos.

Dentro destas 2.500 empresas, como muitas são as titãs tecnológicas, os investidores olham para este índice para saber como as empresas do setor tecnológico estão indo. Entre elas, encontra a Google (GOOGL), Amazon (AMZN) e Microsoft (MSFT).

nasdaq

O icónico edifico do Nasdaq, no centro de Nova Iorque, não tem uma sala de pregões tradicional, tudo é feito através de um complexo sistema de telecomunicações e computadores.

Uma das principais diferenças entre este e outros índices é que ele não está limitado a empresas que tenham sede fiscal nos EUA.

O Nasdaq como uma bolsa de valores que é engloba diferentes índices que o representam, entre eles encontramos o Nasdaq 100, o Nasdaq Composite (que estamos falando) e a Nasdaq Biotechnology. 

Quais as principais diferenças entre Dow Jones, Nasdaq e S&P 500?

1 – A metodologia do cálculo do mercado:

Embora a missão básica dos 3 indicies seja a mesma, a forma em como eles desempenham sua função é muito diferente.

É porque isso que os 3 índices vão proceder a 3 formas diferentes de calcular o valor de mercado. E será normal haver (grandes) diferenças entre os indexes, mesmo para os mesmos ativos.

Curiosidade: A Apple (AAPL), a Microsoft (MSFT) e a Cisco (CSCO) são algumas das empresas que conseguem a proeza de estarem presentes nos 3 índices que falamos.

Dow Jones:

Para calcular o Dow Jones (DJIA) a fórmula que vê abaixo é utilizada.

O índice é ponderado pelo preço, onde as empresas são ponderadas em relação ao seu preço por ação.

Como já foi explicado, empresas que tenham uma cotação por ação mais elevada vão ter um peso e uma preponderância maior na performance global do Dow.

É feita o somatório dos preços dos 30 títulos e depois dividida por um divisor de nome Dow Divisor.

O cálculo matemático aufere um peso maior às empresas que têm um preço mais alto por ação. Por exemplo, se o preço por ação da McDonald’s estiver nos 210$, essa empresa terá uma preponderância muito superior nas movimentações do Dow do que a Cisco que tem um preço de 35$ por ação.

DJIA
DJIA

S&P 500:

Para se calcular este índice utiliza-se o método da capitalização “free-float”. Por “free-float” referimo-nos ao valor das ações que está disponível em oferta pública. Ou seja, apenas as ações a circular no público é que vão ser ponderadas, excluindo as que possam estar nas mãos dos executivos, donos, promotores, etc.

Vamos obter o seu valor multiplicando o valor de cada empresa pelo número de ações públicas disponíveis e depois dividindo pelo divisor S&P 500.

Este divisor é reavaliado frequentemente para manter o índice consistente e tem em atenção derivadas situações, como a imagem abaixo explica:

S&P 500
S&P 500

NASDAQ Composite:

Este índice também utiliza um método de ponderação pela capitalização bolsista. As maiores empresas listadas nele vão exercer um maior impacto no valor final do índice.

O cálculo é feito ao pegar no valor total de cada uma das ações das empresas, multiplicando-o pelo último valor de fecho de cada título. Depois é dividido pelo divisor NASDAQ, para gerar um valor mais apropriado e realista. Este divisor é atualizado sempre que necessário para gerar um valor adequado às emissões de relatórios.

Embora a atualização do índice seja feita ao segundo, o preço final é declarado diariamente às 4:16 da tarde (horário da costa leste dos EUA).

A imagem abaixa retrata a fórmula que é utilizada:

nasdaq-formula
Formula Nasdaq

2 – A metodologia da escolha:

Outro aspeto importante que influência os índices e o seu valor diretamente são o tipo de companhias que deles fazem parte.

Como já entendeu dos parágrafos acima, o Dow regista o valor das 30 maiores companhias que fazem parte e são reconhecidas em qualquer casa.

O S&P 500, por seu lado, é mais amplo e com uma visão que também tem um alcance maior, visto que acompanha um leque muito maior em quantidade e diversidade das empresas.

Por último, o NASDAQ Composite, está mais focada nos (muitos) ativos existentes da bolsa de valores NASDAQ, com um forte cunho tecnológico.

Isto ajuda a criar 3 índices muito diferentes entre si. Há a tendência do Dow em ser o índice dos “colarinhos-brancos”, apenas das empresas gigantes, mas inclina-se fortemente para o que as ações com as cotações mais elevadas estão a fazer.

O S&P 500 tendencialmente irá seguir mais o mercado num todo, de forma global. De facto, o peso do mercado do S&P 500 na economia é uma grande razão pela qual tem vindo a seguir o Dow.

E o NASDAQ tende a ponderar a favor das grandes empresas tecnológicas, uma vez que estes são os tipos de empresas que dominam esse índice.

3 – A volatilidade:

Em relação à volatilidade, podemos indicar que o Dow Jones é, tipicamente, o menos volátil dos três índices, pois a maioria das 30 empresas são de topo e com movimentações mais lentas e seguras.

Ao contrário, o NASDAQ Composite acaba sendo o mais volátil pela grande concentração de firmas de tecnologia, algumas delas recentes no mercado e que, embora possam ter grandes lucros, também são propensas a grandes saltos e oscilações.

Temos como exemplo a Netflix e o Facebook.

Acaba sendo difícil de prever a competitividade nesta ‘bolha tecnológica’ pela sua rápida mudança.

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wall street

Em relação á volatilidade, há sempre a tendência de comparar estes e outros índices e as Bolsas em geral com outros mercados cuja volatilidade parece ser maior.

Dizemos parece, porque nem sempre são, e já explicamos porquê.

Se usarmos como exemplo o Mercado Cambial ou Forex, pode parecer que estes têm muito menos volatilidade, mas a verdade é que a diferença é a alavancagem usada em Forex que aumenta exponencialmente a volatilidade.

Quando negociamos com margem, o valor investido é multiplicado por uma margem (10x, 100, etc). Esta margem irá multiplicar também a volatilidade, pelo que uma mexida diária de 1% num ativo pode, com a margem, ser igual a uma mexida de 10% ou 100% em um único dia.

Em Forex é isso que acontece, usamos uma margem que aumenta esta realidade, por isso que os ganhos e as perdas são exponenciais em mercados alavancados

Conheça o uso da margem em forex.

A negociação de índices ou de ações também podem ser usando a margem, pelo que o exemplo acima também funciona para a negociação dos indíces.

Como negociar este índices?

Existem várias formas de negociar qualquer um deles, seja pela forma mais tradicional, que é pela abertura de uma conta em uma corretora americana (nem todas aceitam estrangeiros).

Ou pela abertura de contas em corretoras fora dos EUA.

Na verdade pela importância que estes índices têm, a maior parte das corretoras que operam CFDs oferecem estes ativos para serem negociados em suas plataformas.

O Dow Jones, Nasdaq, S&P 500 podem ainda ser negociados por via de outros instrumentos, como por exemplos CFDs de Opções Binárias.

As operações binárias acima mencionadas são contratos futuros com um tempo de expiração que pode variar entre o 1 minuto (sim, leu bem, 60 segundos) até 1 mês (o tempo máximo varia de corretora para corretora).

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Fatores que vão influenciar estes (e todos os outros) índices:

Naturalmente que existem situações e eventos que vão afetar os valores dos índices.

E isso é verdade para situações que não estão previstas, tal como guerras, terrorismo ou calamidades naturais de grande escala.

Mas também o é para situações que estão mais previstas, como eventos políticos, sejam domésticos ou estrageiros. Um bom exemplo são as eleições. É algo que está previsto acontecer de X em X anos, mas não deixa de influenciar os índices.

Claro que cada tipo de empresa acaba por fatores próprios que podem influenciar mais ou menos os seus resultados e alguns destes índices têm um peso maior ou menor de empresas de certas áreas, como é o Nasdaq com as empresas tecnológicas que sabemos estão dependentes da cada vez mais rápida evolução tecnológica.

Vejamos dois casos em que uma empresa soube se posicionar e continuar no mercado e outras que não soube e abriu falência.

A Blockbuster (1985) e a Netflix (1997) são duas empresas tecnológicas que surgiram em finais do século passado, dedicando-se ao aluguel de filmes. A primeira de casseste VHS e a segunda de DVDs.
Em 2007 a Netflix percebeu que a evolução tecnológica rapidamente iria acabar com os filmes em formatos físicos pelo que lançou nesta altura a sua plataforma de streaming, enquanto que a Blockbuster não entendeu isso e rapidamente perdeu mercado tendo falido apenas 3 anos depois em 2010.
Neste exemplo entendemos a rapidez com que uma empresa tecnológica muda, com a evolução rápida que a tecnologia permite.
Este é um exemplo de que muita coisa influencia as ações e por seu lados os indicadores que os compôem.

E agora, entendeu o que são Dow Jones, Nasdaq, S&P500 e quais suas Diferenças?

E uma vez que, como já entendeu, os ativos dos índices são as próprias empresas, naturalmente que os relatórios de contas, a saúde financeira, aquisições ou vendas internas, alterações das chefias de topo, entre outros, vão afetar claramente as prestações das empresas nos índices.  

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